quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Mudanças na Tabela Geológica




Entenda:

As Eras geológicas são divididas em Períodos e estes em Épocas.



A primeira Era é o Pré Cambriano que é dividido, basicamente, pelos períodos
Arqueozóico e Protetozóico. Em seguida vem a segunda Era que é chamada de Paleozóico e tem vários períodos. A era seguinte é uma das minhas preferidas, o Mesozóico( era dos dinossauros e da deriva continental/tectônica das placas, que tem vários períodos interessantes, tais co o Jurássico e o Triássico) . Por fim, vem a Era Cenozóica. Essa é a era que estamos e é dividida pelos períodos Terciário e o Quaternário, aliás, é nesse momento que surge o homem.



A novidade é que ,segundo a visão de vários cientistas, devido às grandes
interferências humanas no planeta, os seres humanos colocaram a Terra em uma nova Era Geológica chamada de ANTROPOCENO que pode ter acontecido em meados do século passado e foi marcada pelo consumo em massa de materiais como alumínio, concreto, plástico e pelas consequências dos testes nucleares em todo o planeta, segundo a pesquisa publicada na revista "Science.


 A nova tese é sustentada nas mudanças ambientais causadas pela espécie humana e segundo os cientistas, essa nova era chamada de Antropoceno (do grego anthroppos, homem) é recente e teria surgido ao final do século XX, sendo que o termo surgiu na década de 1980, através do ecólogo norte-americano Eugene Stoermer, porém,  foi o holandês Paul Crutzen, vencedor do Prêmio Nobel de Química de 1995, quem popularizou essa vertente.



Atualmente, quem lidera a pesquisa que corre o mundo atualmente é o geólogo Colin Waters, cientista do Serviço Geológico Britânico que aponta o Antropoceno como ponto final do Holoceno, época cujo início foi há longos 11.700 anos.Para Colin, que neste estudo trabalha juntamente com pesquisadores de outras 21 instituições, a "era dos homens" começou a exibir a maior parte de seus sinais distintivos em 1950.



"Os depósitos antropogênicos recentes contêm novos tipos de rochas e minerais, refletindo uma rápida disseminação global de alumínio puro, concreto e plástico", afirma o estudo. "A queima de combustíveis fósseis disseminou fuligem, esferas de cinza inorgânica e partículas carbonáceas esféricas por todo o mundo", pontua.



Segundo Waters, essa passagem será visível na Terra por milhões de anos, mesmo que a humanidade já esteja extinta e esses materiais propensos à sobrevivência são chamados de tecnofósseis.


Para que possamos ter uma ideia, a identificação de épocas geológicas se dá por meio da deposição de camadas no solo, sendo que para os defensores do Antropoceno, esta fase já apresenta, nesse sentido, diferenças em relação ao Holoceno.




O trabalho também indica que o planeta caminha a passos largos para perder 75% de suas espécies nos próximos séculos.Tudo isso vem sendo causado pelo aumento da concentração de gases no efeito estufa, a mudança climática pela qual a Terra passa se registra não somente no gelo que se forma nas calotas polares, mas também na deposição de sedimentos, dizem os estudiosos. "As concentrações atmosféricas de gás carbônico e metano se distanciam do Holoceno começando por volta de 1850 e mais acentuadamente em 1950", relata a pesquisa.



Outro fato a ser destacado diz respeito a questão da análise dos sedimentos depositados, onde os pesquisadores, geólogos e cientistas,indicam outras causas para tais mudanças, tais como a forte urbanização, o desmatamento desenfreado e a construção de represas.Também deve-se ser levado em consideração o descontrolado avanço do aquecimento global,principalmente depois da Primeira Revolução Industrial e que no século XX acelerou de forma dramática.Segundo os cientistas, além da época geológica denominada Holoceno, também será encerrado o período geológico Quaternário - recorte de tempo datado de 2,6 milhões de anos atrás.


A comunidade científica que está estudando tais mudanças em nosso planeta acredita que essa nova era não mudará de forma radical a perspectiva da Ciência, que já tem noção da seriedade dos fenômenos provocados pela ação humana que se refletem negativamente no planeta, entretanto, para eles, a medida aumentaria a seriedade da abordagem do assunto na área da educação, uma vez que ficaria bem explicito o fato de que uma especia animal está tendo o poder de modificar até mesmo uma ERA GEOLÓGICA e com isso mudar os rumos de nosso planeta.



Kléber Caverna

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

OS NOVOS “ARES” QUE SOPRAM NA AMÉRICA DO SUL




Nesse fim de ano de 2015, dois dos principais países da América do Sul foram às urnas em pleitos que sinalizam importantes mudanças nos cenários nacionais e regional.


ARGENTINA :
Em 22 de novembro, a Argentina elegeu o empresário Mauricio Macri como novo presidente, encerrando um período de 12 anos sob o comando dos Kirchner (primeiro Néstor e depois sua esposa Cristina).


BREVE HISTÓRICO:

         Néstor Kirchner foi eleito no ano de 2003 em meio à mais grave crise econômica da história argentina. Em seus quatro anos de mandato, Néstor adotou políticas sociais e conseguiu reorganizar as contas públicas, recolocando o país no caminho de crescimento. Com a popularidade em alta, Néstor não teve dificuldades para emplacar a candidatura de sua mulher, Cristina, eleita presidente em 2007.

Cristina Kirchner logo de imediato já entrou em choque com o Clarín, principal conglomerado de imprensa argentino, o que contribuiu para o desgaste de sua imagem. A partir do segundo mandato, iniciado após obter a reeleição em 2011, a economia voltou a se deteriorar, com o aumento da inflação e do endividamento. A Argentina também enfrentou uma onda de greves que foi minando a popularidade de Cristina.

Com todo esse cenário e com o descontentamento da população argentina, a mudança era inevitável e com os rumos atuais da economia ficou claro com o resultado das urnas, que daria a vitória ao oposicionista Mauricio Macri. Empresário bem-sucedido, Macri indica que adotará uma política econômica mais liberal, com maior abertura ao mercado e menos intervenções do Estado.



VENEZUELA:
A Venezuela realizou eleições legislativas no dia 6/12 que tiveram expressiva vitória da oposição. O resultado representa o primeiro revés eleitoral dos chavistas – grupo político-ideológico ligado ao ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013.

BREVE HISTÓRICO:
         Depois de décadas de golpes e governos corruptos, que privilegiaram as elites e acentuaram as desigualdades sociais, a Venezuela elegeu Hugo Chávez em 1998, que tinha em seu projeto de governo, batizado como “socialismo do século XXI”, uma forte presença do estado na economia  e assim,Chávez ampliou o controle estatal sobre o petróleo, lançou programas de reforma agrária e habitacional e conduziu uma diplomacia hostil aos Estados Unidos. Em seu governo, a Venezuela reduziu a pobreza e a desigualdade. No entanto, Chávez foi acusado de centralizar o poder e sufocar a oposição.

Logo após a morte de Hugo Chávez, em 2013,o seu aliado  Nicolas Maduro foi eleito presidente com um projeto de dar continuidade ao chavismo. Mas em seu governo a situação econômica piorou. A inflação disparou, e o país vive uma grave crise de desabastecimento. Para piorar, com a queda no preço do petróleo, principal item de exportação da Venezuela, o governo viu suas receitas minguarem. A polarização política se radicalizou, com a direita apoiada por setores da classe média exercendo forte pressão sobre o governo de Maduro.


         Com o agravamento desse cenário em 2015, Maduro e seu governo se desgastou e perdeu a maioria na Assembleia para a Mesa da Unidade Democrática (MUD) nas eleições de 6 de dezembro. Com isso, a oposição agora tem poder para mudar leis, aprovar reformas constitucionais e até convocar uma Assembleia Constituinte.



O QUE MUDA COM ESSE NOVO CONTEXTO NA ARGENTINA E NA VENEZUELA:





Até a década de oitenta do século passado, muitos países sul-americanos foram governados por ditaduras militares, como Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. A transição para a democracia nos anos seguintes foi marcada pela adoção de políticas liberalizantes, sob influência dos Estados Unidos e de organizações como o Fundo Monetário Internacional. Medidas como desestatizações/privatizações e abertura dos mercados nacionais a empresas multinacionais atraíram investidores, mas essas ações não se traduziram em aumento do bem-estar e da riqueza. Nesse período, a desigualdade social na região, que já é uma das maiores do mundo, se acentuou.
Com a eleição de Hugo Chávez, na Venezuela, em 1998, acabou influenciando uma onda de esquerda na região, sinalizando o esgotamento deste receituário neoliberal que tinha ganho muita força na região , principalmente a partir do início da década de 1990. Nos anos seguintes, as eleições na América do Sul alteraram o panorama regional até a formação do seguinte quadro:

– Bloco bolivariano: sob influência da Venezuela, países como Bolívia e Equador elegeram governantes que conduziram políticas econômicas alinhadas com o chavismo. Esses governos eram tidos como “CHAVISTAS”.

– Esquerda moderada: outros países também elegeram governos de esquerda, ainda que alinhados com as estruturas do mercado mundial. Nessa situação podemos incluir o Uruguai, Argentina, Peru, Chile e Brasil.  Obs: o Chile chegou a ter um presidente neoliberal ( Sebastina Pineira) , porém nas últimas eleições a esquerda voltou ao poder com Michele Bachelet.

– Bloco conservador:  esse grupo de países era composto por Colômbia e Paraguai – com a posse de Macri, a Argentina deve fazer a transição para este grupo.

Agora a discussão é, se com a vitória da direita nas eleições da Argentina e da Venezuela, a América do Sul será influenciada por uma nova onda conservadora. Mas, apesar de o resultado das urnas refletir um desgaste dos governos de esquerda nesses dois países, ainda é muito cedo para generalizar e definir um veredito final.

É importante que destaquemos que se por um lado a Venezuela está em uma crise profunda, Bolívia e Equador vem mostrando bons resultados econômicos, o que credenciam os atuais governos a se sustentarem no poder. No caso do Uruguai que elegeu no ano passado seu terceiro governo consecutivo de esquerda e mantém certa estabilidade econômica, podemos fazer uma previsão de continuidade dos avanços do governo de Jose Pepe Mujica. Quanto ao o Brasil, há 13 anos sob o governo do PT, estamos vivendo uma forte recessão e uma grave crise política, com a presidente Dilma Rousseff sob forte pressão de impeachment.


 Todos esses cenários fazem com que a América do Sul seja um “caleidoscópio” de diferenças sociais, econômicas e políticas e por isso, é prematuro apontar que se trata de uma tendência regional, principalmente porque os países que integram esses blocos de esquerda não apresentam um desempenho econômico homogêneo.

Prof. Kléber Caverna