domingo, 10 de agosto de 2014

KLÉBER CAVERNA EXPLICA ALGUNS TEMAS ATUAIS - PARTE “I”


I-Neoliberalismo




O  Neoliberalismo passa a ser bastante visível a partir do chamado  Consenso de Washington, em 1989, onde a líder do Reino Unido, Margareth Thatcher, e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, propuseram os procedimentos do Neoliberalismo para todos os países, destacando que os investimentos nas áreas sociais deveriam ser direcionados para as empresas.

Segundo os neoliberais, para movimentar a economia e, consequentemente, gerar melhores empregos e melhores salários, deveriam ocorrer algumas mudanças no cenário mundial, onde podemos dar destaque aos países mais pobres que deveriam pautar pela redução de gastos governamentais, a diminuição dos impostos, a abertura econômica para importações, a liberação para entrada do capital estrangeiro, privatização e desregulamentação da economia.

De modo simplificado, podemos entender que o neoliberalismo pode ser uma corrente de pensamento e uma ideologia que foi baseada no liberalismo, que nasceu nos Estados Unidos e teve como alguns dos seus principais defensores Friedrich A. Hayeck e Milton Friedman.

Na política, neoliberalismo é um conjunto de ideias políticas e econômicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia, onde deve haver total liberdade de comércio, para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país.

Para os neoliberalistas o Estado é o principal responsável por anomalias no funcionamento do mercado livre, porque o seu grande tamanho e atividade constrangem os agentes econômicos privados.

Portanto o neoliberalismo defende-as seguintes primícias :

-Estado –mínimo;
-Pouca intervenção do governo no mercado de trabalho;
-Políticas de privatização de empresas estatais;
-A livre circulação de capitais internacionais;
-Forte ênfase na globalização;
-A abertura da economia para a entrada de multinacionais/transnacionais;
-Adoção de medidas contra o protecionismo econômico;
-A diminuição dos impostos e tributos excessivos etc.
-A liberdade econômica ordenada pelo mercado, podendo em algumas ocasiões o Estado ter que intervir em negociações para evitar que ocorram desequilíbrios  financeiros.


II-BRICS



Em 2001, o economista-chefe da Goldman Sachs, Jim O'Neil formulou pela primeira vez a ideia do BRIC. O texto, com o sugestivo título de "Sonhando com os Brics: a trajetória até 2050" (numa tradução livre do inglês), argumentava que, daqui a 50 anos, Brasil, Rússia, Índia e China estariam entre as maiores economias mundiais, somando juntos um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 15,44 trilhões. O relatório destacava ainda o peso desses países pelo gigantismo de suas populações que, em 2050, responderiam por 39% dos habitantes do planeta.

A partir daí,  o termo Brics passou a ser conhecido em todo o mundo , principalmente por que as economias mais ricas  passaram por algumas crises e cada vez mais podemos observar um maior dinamismo dos grandes emergentes, sobretudo da China, que se tornou a nova locomotiva da economia mundial., Em 2006, o conceito deu origem a um agrupamento, propriamente dito, incorporado à política externa de Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2011, por ocasião da III Cúpula, a África do Sul passou a fazer parte do agrupamento, que adotou a sigla BRICS.

De modo geral, podemos dizer que os BRICS tem em comum:

- Economia estabilizada a pouco tempo;
- Situação política estável;
- Mão-de-obra em grande quantidade e em processo de qualificação;
- Crescimento dos níveis de produção e exportação;
- Grandes  reservas de recursos minerais e energéticos;
- Investimentos em setores de infra-estrutura (estradas, ferrovias, portos, aeroportos,     
  hidrelétricas etc);
- PIB (Produto Interno Bruto) em crescimento;
- Melhorias nos índices sociais;
- Diminuição das desigualdades sociais , mesmo que de forma ainda um pouco lenta;
- Aumento significativo e rápido de acesso da população aos sistemas de comunicação
  como, por exemplo, celulares e  internet(inclusão digital);
- Mercados de capitais (Bolsas de Valores) recebendo grandes investimentos estrangeiros;
- Investimentos de empresas estrangeiras nos diversos setores econômicos;
-Aumento significativo do mercado consumidor.


Reunião de Cúpula do BRICS em Fortaleza (15 e 16 /julho) - Na reunião dos BRICS em julho de 2014,foi anunciado a sede e a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics.O Novo Banco será instalado em Xangai, na China, e a primeira presidência do órgão será de um representante da Índia, tendo rotatividade entre os integrantes do bloco. Inicialmente, o capital inicial autorizado do banco será US$ 100 bilhões e o capital subscrito, igualmente distribuídos entre os cinco países que integram o Brics, será US$ 50 bilhões.



III-CRISE NA UCRÂNIA



            A crise na Ucrânia  teve sua origem no final de 2013, quando o então presidente ucraniano Viktor Yanukovich desistiu de assinar um tratado de livre-comércio com a União Europeia, preferindo estreitar relações comerciais com a Rússia. A partir desse decisão tiveram muitos protestos  massivos, que resultaram, em fevereiro de 2014 , na destituição de Yanukovich, que acabou fugindo para a Rússia.

A partir do momento a Ucrânia estava em uma profunda crise, a região da Crimeia,em uma península da Ucrânia, onde a maioria da população é de maioria russa , o parlamento local foi dominado por um comando pró-Rússia, que nomeou Sergei Axionov como premiê. Esse novo governo, considerado ilegal pela Ucrânia, aprovou sua adesão à Federação Russa e a realização de um referendo sobre o status da região no dia 16 de março.

Logo depois dessas medidas serem tomadas o Parlamento se declarou independente da Ucrânia  e contou com o apoio dos  russos e foi muito criticado por ucranianos. Devemos destacar que a Criméia está numa  península e fica em uma área estratégica do Mar Negro, muito próxima do sudoeste da Rússia e a maior parte da frota russa no Mar Negro está na Crimeia, com um quartel-general na cidade ucraniana de Sebastopol.


IV- AIDS – UCRÂNIA – MALAYSIAN AIR LINE




A queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines, que caiu em território ucraniano no dia 17 de julho de 2014, levava 108 pesquisadores, ativistas e membros de ONGs que estavam viajando para participar da 20ª Conferência Mundial de Aids, em Melbourne, na Austrália.

O avião da Malaysia Airlines com 298 pessoas a bordo e caiu na Ucrânia, próximo da fronteira com a Rússia, quando seguia de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lumpur, na Malásia. Fontes militares dos EUA confirmaram que o avião foi abatido por um míssil terra-ar.
Com a queda do avião, morreram todas as 298 pessoas a bordo, tornando-se alvo das atenções da comunidade internacional e está sendo investigada. O mais absurdo dessa tragédia é o fato que a “cura da doença poderia estar no avião que caiu”. Cientistas do mundo são unânimes ao dizer que o episódio representa uma perda enorme para a comunidade acadêmica. A comunidade científica lamenta a perda de tantas pessoas engajadas na luta contra a AIDS e há quem diga que a esperança de uma cura para a Aids num futuro próximo pode ter se perdido com a queda do Boeing.

Um dos mais renomados  pesquisadores da AIDS no mundo , Joep Lange, foi presidente da Sociedade Internacional de Aids, entre 2002 e 2004, e vinha atuando como diretor do Departamento de Saúde do Centro Acadêmico de Medicina da Universidade de Amsterdã, estava no fatídico voo. Recentemente, o pesquisador divulgou um estudo que demonstra, pela primeira vez, como um composto probiótico poderia atuar no vírus HIV.

Em 2001, Lange criou a PharmAccess, uma fundação sem fins lucrativos cujo objetivo era melhorar o acesso aos medicamentos e tratamentos da Aids em países pobres. O pesquisador contribuiu no desenvolvimento de terapias combinadas a preços acessíveis e em meios de prevenir a transmissão do vírus da mãe para o bebê.


V- CRISE ENTRE ISRAEL E PALESTINOS


            Onde começou a crise entre Palestinos e Judeus?

            O conflito entre árabes e judeus tem origem muito remota. Numa análise bíblica , podemos encontrar a história de Abraão, que obedecendo o comando de Deus, deixou a Mesopotâmia e estabeleceu-se em Canaã - passando assim a ser a Terra Prometida dos judeus. Abraão teve vários filhos entre eles, Isaac e Ismael, dos quais descendem respectivamente os judeus e os árabes. Jacó, neto de Abraão e filho de Isaac, e os filhos deste, mudaram-se para o Egito onde foram escravos durante 400 anos, até retornarem a Canaã.


Depois de um longo tempo escravizado pelos egípcios, os hebreus foram conduzidos por Moisés até a Terra Prometida. Moisés, libertou-os do escravismo do Egito fazendo uma peregrinação de 40 anos pelo deserto, durante a qual formaram o seu caráter de povo livre. Concretizando seu ideal, o povo hebreu estabeleceu-se às margens do Rio Jordão, na antiga Palestina, onde mais tarde resolveram expandir suas fronteiras, durante o reinado de Salomão, que consolidou a Monarquia Judaica.

O império passou a se estender do Egito a Mesopotâmia. Em seguida, dividiu-se em dois pequenos reinos, que logo foram dominados pelos Babilônios que expulsaram os judeus deste território. Os Babilônios foram dominados pelos Persas, estes pelos gregos e, estes últimos, pelos Romanos.

Antes do início da disputa por Canaã, judeus e árabes viviam em harmonia, por muitas vezes sofreram os mesmos destinos, contra inimigos comuns.

Portanto, esse conflito começou a muito tempo atrás, onde árabes e judeus lutam entre si por milênios e carregam uma longa história de desavenças religiosas e de disputa de terras. Desde os tempos bíblicos, judeus(antes conhecidos como hebreus) e árabes, que são dois entre vários povos semitas, ocuparam partes do território do Oriente Médio. Como adotavam sistemas religiosos diversos, eram comuns as divergências, que se agravaram ainda mais com a criação do islamismo no século VII.

            Depois de terem voltado a Terra prometida, os judeus iriam ser expulsos por duas vezes dessa região. A primeira diáspora envolvendo os judeus ocorreu em 587 a.C., quando o rei babilônio Nabucodonosor invadiu o antigo reino de Judá (ao sul de Israel). O monarca arrasou Jerusalém e mandou parte de seus habitantes para a Babilônia, na Mesopotâmia (hoje Iraque).Passados apenas cinquenta nãos 50 anos, em 538 a.C., o rei persa Ciro permitiu a volta dos judeus a Jerusalém e a reconstrução do templo, porém, muitos dos judeus preferiram ficar na Babilônia, que permaneceu como um centro da cultura judaica por 1,5 mil anos.

Próximo ao nascimento de Jesus Cristo, em 63 a.C., uma nova reviravolta ocorre no mundo judaico, o general Pompeu invadiu a Judeia e a transformou em província do Império Romano. Terminava assim o reino dos Hasmoneus - o último país judeu independente que existiu até a criação do Israel moderno, em 1948.A região ficou novamente em “pé de guerra” e a tensão culminou com uma rebelião. Em 70 dC, o general romano Tito reprimiu os revoltosos, destruiu o segundo templo e mandou os judeus a uma nova diáspora, que alcançou a Ásia, a Europa e o norte da África. Nessa segunda diáspora as coisas pioraram para os judeus que ao contrário dos anos na Babilônia, o exílio nos domínios romanos marcou o início das perseguições. O império romano não tolerava o culto judaico a um Deus único nem costumes como o shabat, e a situação piorou com a conversão do imperador Constantino ao cristianismo, no século IV.

Ao final do s´[éculo XIX, um movimento nacionalista judaica, sionismo foi responsável pela criação do estado moderno de Israel como a pátria judaica. Embora geralmente atribuída a Theodor Herzl e outros grupos, o sionismo remonta ao início da diáspora judaica, o Exílio babilônico do século VI dC. Os ingleses tinham um papel que era o de criar esse "lar nacional" para os judeus, que vinham sofrendo perseguições e violências em todo o mundo, mas sem violar os direitos dos palestinos árabes que já viviam ali. Devido a simpatia inglesa, na década de 1920, ocorreu uma grande migração de judeus para a Palestina, a contragosto dos povos árabes que habitavam a região. 

Também no início do século XX, ocorreu um conflito entre esses povos a partir da Primeira Guerra Mundial, quando se deu o fim do Império Otomano, e a Palestina, que fazia parte dele, passou a ser administrada pela Inglaterra. Na época a região possuía 27 mil quilômetros quadrados e abrigava uma população árabe de um milhão de pessoas, enquanto os habitantes judeus não ultrapassavam 100 mil.
           
            A partir de 1933, com a ascensão do nazismo na Alemanha e o aumento das perseguições contra os judeus na Europa, a migração judaica para a região cresceu de forma demasiadamente vertiginosamente. Os palestinos, por sua vez, resistiram a essa ocupação e os conflitos se agravaram.

            Durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu o Holocausto, que levou ao extermínio de 6 milhões de judeus, e a crescente demanda internacional pela criação de um estado israelense fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovasse, em 1947, um plano de partilha da Palestina em dois Estados: um judeu, ocupando 57% da área, e outro palestino (árabe), com o restante das terras. É óbvio que essa partilha, desigual em relação à ocupação histórica, desagradou os países árabes em geral e os palestinos foram os mais prejudicados.

            Para piorar a situação, no ano de 1948, os ingleses finalmente saíram da  região e os judeus fundaram, em 14 de maio, o Estado de Israel. No dia seguinte, insatisfeitos com a partilha, os árabes(Egito, Síria, Jordânia, Arábia Saudita e Líbano invadiram o recém-criado estado judeu) declaram guerra à nova nação, mas acabaram derrotados. Com isso, Israel aumentou seu território para 75% das antigas terras palestinas: o restante foi anexado pela Transjordânia (a parte chamada Cisjordânia) e pelo Egito (a faixa de Gaza) Em consequência disso, muitos palestinos refugiaram-se em Estados árabes vizinhos, enquanto boa parte permaneceu sob a autoridade israelense.


            Nos anos seguintes, muitos outros conflitos se sucederam por causa de fronteiras, sempre com vantagens para Israel e sempre sem uma solução para o problema dos refugiados palestinos que se espalharam pelas regiões vizinhas. Apesar de algumas tentativas de acordos e planos de paz, a situação atual ainda é de muito impasse, principalmente pelo fato de os palestinos, liderados pelo movimento radical islâmico Hamas, não reconhecerem o direito de existência de Israel.

            Nos anos seguintes, muitos outros conflitos se sucederam por causa de fronteiras, sempre com vantagens para Israel e sempre sem uma solução para o problema dos refugiados palestinos que se espalharam pelas regiões vizinhas. Apesar de algumas tentativas de acordos e planos de paz, a situação atual ainda é de muito impasse, principalmente pelo fato de os palestinos, liderados pelo movimento radical islâmico Hamas, não reconhecerem o direito de existência de Israel.



Kléber Caverna


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