domingo, 26 de maio de 2013

AGROPECUÁRIA NO BRASIL

HISTÓRICO DA AGROPECUÁRIA BRASILEIRA

 A ocupação do nosso território iniciada durante o séc. XVI e apoiada na doação de terras por intermédio das sesmarias, na monocultura da cana-de-açúcar e no regime escravocrata foi responsável pela expansão do latifúndio, que concentra as terras e utiliza sistemas agrários nocivos, os quais ainda predominam em muitas áreas do Brasil.

É importante salientarmos que bem antes da expansão desse sistema monocultor, já havia se instalado, como uma primeira atividade econômica, a extração do pau-brasil, que se tornou a primeira grande agressão ao meio ambiente, através da destruição da vegetação litorânea, porém, coma a quase extinção dessa espécie vegetal (o pau-brasil) - não havendo neste período outro produto extrativo de valor comercial - teve início com a plantação da lavoura canavieira, que nesse período serviu de base  e sustentação para a economia do Brasil.



A Lavoura canavieira desempenhou um papel fundamental na organização da agricultura brasileira, fazendo surgir a grande propriedade rural, núcleo de futuras plantations, apoiadas por mão-de-obra escrava.

É de suma importância que possamos entender que o plantation foi um sistema de exploração colonial utilizado entre os séculos XV e XIX principalmente nas colônias europeias da América, tanto a portuguesa quanto em alguns locais das colônias espanholas e também nas colônias inglesas britânicas. Ele consiste em quatro características principais:

-latifúndios
-monocultura
-trabalho escravo
-exportação para a metrópole.

Através dos grandes latifúndios, com suas extensas terras, era possível produzir em grande escala um único produto, o que se denomina de monocultura. No Brasil, utilizou-se inicialmente a cana-de-açúcar, mas depois veio o algodão, o fumo e o café. Geralmente eram produtos tropicais que eram plantados nesses latifúndios.

Não podemos nos esquecer que toda essa exploração acabou promovendo a derrubada progressiva da vegetação original. Na fase inicial da ocupação do território nacional, a substituição da Floresta Atlântica por lavoura foi  realizada de maneira indiscriminada, fato em parte compreensível, face ao desconhecimento de métodos e técnicas que permitissem uma ocupação do solo mais racional, que previsse a preservação de áreas mais suscetíveis à degradação.



Por outro lado, nas áreas do sertão, onde as condições ambientais não eram favoráveis à expansão canavieira, desenvolveu-se a grande propriedade voltada para pecuária de corte (praticada em pastos naturais afastados do litoral) e também o abastecimento dos pequenos centros urbanos para o fornecimento de animais de tração para as regiões onde estavam os canaviais.

Paralelamente a expansão da cultura canavieira e da pecuária extensiva, desenvolveu-se uma agricultura de subsistência que visava o abastecimento das pessoas engajadas nos engenhos e fazendas de gado, situação que perdurou até o séc. XVIII, quando a mineração passou a ser a principal atividade do País e como conseguinte, absorvendo a maior parte da mão-de-obra, o que ocasionou o abandono de muitos engenhos de açúcar.

Outro ponto a ser destacado é a mineração, que acabou sendo  responsável pelo aumento de áreas voltadas para agricultura de subsistência e promoveu o aparecimento de propriedades de menores dimensões, dedicadas à produção de alimentos, com fins comerciais. Com a prática da mineração ficou sob a forma de garimpos, embora em áreas restritas e localizadas, acabou contribuindo para a interiorização da ocupação do Brasil e provocou grandes alterações  ambientais nas áreas onde se deu de forma mais intensa. 



Mas é no século XIX que nosso país vai vivenciar sua fase de grande expansão e ocupação do território, sobretudo na Região Sudeste, motivada pela difusão de novas terras. Assim, as propriedades se tornaram maiores e nesse período o capitalismo estava em grande ascensão. Nesse período, principalmente na segunda metade do século XIX, também desenvolveu-se o transporte ferroviário, acabando-se, assim, o isolamento das fazendas no interior do país.

No que se refere ao século  XX, as sucessivas crises de abastecimento surgidas em função do predomínio econômico do café e da cana-de-açúcar, voltados para o mercado externo, contribuíram para o aparecimento de pequenas e médias propriedades dedicadas ao cultivo de produtos alimentícios básicos.

Por outro lado, a aceleração no processo de urbanização do Brasil, junto com o desenvolvimento industrial a partir da década de 1930/1940, contribuíram para o surgimento de áreas agrícolas destinadas à produção de matérias-primas industriais, de produtos hortifrutigranjeiros e de uma pecuária leiteira desenvolvida em planaltos. A atividade pecuária foi responsável por grandes transformações verificadas nos usos e nos empregos de técnicas na agricultura, acelerando a ocupação do Brasil e ocasionando modificações na natureza.

De 1969 a 1999 ocorreu uma expansão na área cultivada, passou de 187 milhões para 250 milhões de hectares (34% a mais).



Atenção:

A agropecuária mais competitiva do mundo ocupa apenas 329.941.393 dos 851 milhões de hectares do Brasil — ou 38,8%.

Dentro desses quase 330 milhões de hectares, 98.479.628 (30%) são matas e florestas, que compõem as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal.

Portanto, sobram para a atividade agroindustrial 231.461.765 milhões de hectares — ou 27% do total.






A ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA:

 

Imóveis rurais
Minifúndios – consiste em um  imóvel com área agricultável inferior ao Módulo Rural estabelecido para a região. Assim, se a região oferece boas condições naturais ou ambientais, o minifúndio será menor e na situação contrária, será maior porte.

Módulo Rural -  consiste em uma área variável de 2 a 120 hectares, sendo determinada em função da localização geográfica, do tipo de produção a que se destina e da capacidade da terra para produzir. O Módulo Rural é uma área que, em determinada posição geográfica, absorve a força de trabalho de uma família com quatro pessoas adultas, proporcionando-lhe um rendimento capaz de lhe assegurar a subsistência e o progresso socioeconômico durante um ano ou 1.000 jornadas de trabalho.

Empresas rurais -  consiste em um  imóvel explorado racionalmente, com um mínimo de 50% de sua área agricultável utilizada e que não exceda 600 módulos rurais.

Latifúndios por exploração – consiste em um imóvel que é mantido inexplorado em relação às possibilidades físicas, econômicas e sociais do meio em que está inserido, não ultrapassando uma área de até 600 módulos rurais, porém inadequadamente explorado ou mesmo subexplorado.

Latifúndios por dimensão - É todo o imóvel rural com área superior a 600 módulos rurais estabelecidos para a respectiva região.




 



PRINCIPAIS REGIÕES AGROPECUÁRIAS DO BRASIL:

De modo geral podemos entender que as atividades rurais no Brasil podem ser das mais lucrativas e devem ser encaradas como uma atividade econômica rentável e promissora. Os países centrais, mesmo tendo bases industriais, nunca deixaram de dar uma importância primordial ao setor agropecuário. Os Estados Unidos, maior nação industrial do mundo, também possuem o título de maior produtor agropecuário do planeta. O setor agropecuário americano, como na indústria, se utiliza das mais modernas tecnologias, o que gera grande aumento da produtividade e consequentemente da lucratividade.

Em nosso país, apesar das propriedades rurais movimentarem bilhões de dólares todos os anos e serem responsável, direta ou indiretamente, por mais da metade do PIB, os proprietários rurais não aproveitam totalmente o potencial de produção de suas terras e não consideram o fato de que poderiam obter um faturamento muito alto se trabalhassem na administração rural de suas fazendas. Veja a seguir o mapa mostrando as principais atividades agropecuárias brasileiras:



Nesse próximo mapa, você poderá observar como estão distribuídas as chamadas Zonas Modernizadas e as Zonas Menos Modernizadas do Brasil, e constatará que as regiões mais desenvolvidas estão concentradas mais no Centro Sul do país, e a Amazônia e o Nordeste, ainda estão muito atrasadas em relação a essa região . Veja a seguir esse mapa:



Nesse próximo mapa, você poderá ver a distribuição dos vários tipos de criações de animais em nosso país.

Os principais rebanhos brasileiros são os de bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Observe o mapa com a distribuição geográfica dos principais rebanhos no Brasil:



Rebanho de bovinos – na pecuária de corte destacam-se as regiões dos Pampas Gaúchos, oeste paulista e Triângulo Mineiro. Pecuaristas de outras áreas de criação preocupam-se em melhorar a qualidade de seu rebanho. Na pecuária leiteira podemos destacar Minas Gerais (várias áreas de criação, especialmente o sul do Estado), São Paulo (Vale do Paraíba, São João da Boa Vista, Araras, Mococa) e Rio de Janeiro (Vale do Paraíba e norte do Estado);

Rebanho de suínos – apresenta significativos ganhos de qualidade e especialização (mais carne e menos gordura, melhor higienização nos locais de criação, cuidados veterinários, selecionamento dos animais) o que tem permitido a busca de um aumento nas exportações dessa carne;

Rebanho de ovinos – o Brasil não tem destaque mundial. A maior parte do rebanho é encontrada no Rio Grande do Sul;


Rebanho de caprinos – também sem grande destaque mundial é uma criação que está evoluindo qualitativamente. Boa parte do rebanho, rústico, pode ser encontrada na Região Nordeste.

Outros rebanhos  - podemos dar destaque ao rebanho de equinos, especialmente em Minas Gerais e bubalinos (Ilha de Marajó, Pantanal e Vale do Ribeira). O Brasil parece apresentar condições favoráveis para a criação de búfalos e pode se tornar um grande criador mundial. O Brasil tem um dos maiores rebanhos de asininos e muares e é um dos maiores criadores de aves no mundo.


GRANDES DESAFIOS NO SETOR RURAL BRASILEIRO:


MÃO-DE-OBRA:

Mão-de-obra mal remunerada e superexploração dos trabalhadores rurais com jornadas excessivas de trabalho; escravidão e semiescravidão, uso de mão-de-obra infantil etc.)

AVANÇO DA PECUÁRIA:


Avanço da pecuária extensiva: Veja o mapa a seguir a respeito dos dois temas citados anteriormente



AGRICULTURA FAMILIAR:

-Na verdade, de uma forma geral, a parcela da população urbana é pouco informada sobre o papel da agricultura familiar em suas vidas, quais nichos ela vem ocupando, principalmente no abastecimento interno, e qual a sua importância social. Entretanto, dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), indicam que 70% de alimentos consumidos no Brasil são provenientes da agricultura familiar, que participa de 9% do produto interno bruto (PIB) do país, ou seja, um terço do agronegócio brasileiro. Mesmo assim, especialistas acreditam que ainda existem muitos desafios a serem enfrentados para a preservação da agricultura familiar pelo país.

          -Um dos pontos mais nevrálgicos  ligados a agricultura familiar consiste na geração e distribuição de ocupação e renda em nosso país.         

         -Na Europa, por exemplo, a agricultura familiar é preservada inclusive na perspectiva cultural, e sua importância transcende fatores puramente econômicos, porem no Brasil, ainda ficamos no nesse reducionismo do lucro e da escala, mesmo porque essa agricultura do agronegócio está nos levando ao “suicídio” e “fagocitose”  pelo processo de devastação do espaço natural.

ÊXODO RURAL:

Outro ponto a ser discutido é o êxodo rural, que mudou a configuração demográfica do país em décadas passadas e ainda hoje é preocupante. Por questões econômicas, muitos jovens agricultores acabam por abandonar as propriedades e migram para as cidades. De modo geral, atualmente, a maior causa de evasão de jovens do campo é a baixa renda da produção familiar.

Se as condições de vida fossem melhores no campo, muito desses jovens não iriam se aventurar nas grandes cidades.Com a baixa qualidade de vida urbana, se na agricultura a renda fosse um pouco maior, existiriam condições de fixar muita gente no campo, e diminuir o êxodo rural.

IMPACTOS AMBIENTAIS:

Existem inúmeros impactos ambientais decorrentes das  atividades agropecuárias, como a contaminação química por defensivos agrícolas, desmatamento, perda de biodiversidade, efeito estufa, lixiviação , formação de voçorocas ,assoreamento dos rios etc.

Porém um dos mais complicados diz respeito a perda de solo, através da erosão. O processo erosivo provoca a degradação do solo, principalmente da sua camada orgânica, que também é a sua camada fértil, aumentando a necessidade de fertilização, o que pode acarretar em poluição dos lençóis freáticos.

A contaminação por agroquímicos também é uma constante nas propriedades agrícolas e produzem impactos sobre a saúde humana, poluindo as águas, o solo e o ar, prejudicando a flora e a fauna.

         Práticas inadequadas de manejo do solo podem levar a um processo de degradação ambiental. No que se refere a agricultura,a erosão é o arrastamento das partes constituintes do solo, através da ação da água ou do vento, colocando a terra transportada em locais onde não pode ser aproveitada pela agricultura, pela erosão o solo perde não só elementos nutritivos que possui, como também os constituintes do seu corpo, logo um terreno fértil em que a erosão atuar acentuadamente se tornará pobre e apresentará baixa produção agrícola.

É de suma importância que entendamos que os processos erosivos podem atingir tamanhas proporções que podem gerar terríveis consequências econômicas e sociais, como a destruição de patrimônios naturais, passivos ambientais, e enormes prejuízos econômicos aos cidadãos, à administração pública e às atividades de caráter privadas.

Na  agropecuária  intensiva ocorre à substituição da cobertura de vegetação natural de grandes áreas, e muitas vezes é feito o uso e o manejo inadequados do solo destas áreas antropizadas, e disso usualmente se origina o processo de degradação do solo e consequentemente dos recursos hídricos existentes.

No que se refere a pecuária, dentre os principais impactos ambientais, pode-se destacar  a(o):


–Eliminação e/ou redução da fauna e flora nativas, como consequência do desmatamento de áreas para o cultivo de pastagens;
-Aumento da degradação e perdas de nutrientes dos solos, em especial devido ao pisoteio intensivo e à utilização do fogo;
-Contaminação dos produtos de origem animal, devido ao uso inadequado de produtos veterinários para o tratamento de enfermidades dos animais e de agrotóxicos e fertilizantes químicos nas pastagens;
-Redução na capacidade de infiltração da água no solo devido à compactação;
-Degradação da vegetação e compactação dos solos, especialmente expressiva no caso de superpastoreio;
-Contaminação das fontes d’ água e assoreamento dos recursos hídricos.



CONFLITOS NO CAMPO







Os conflitos no campo perduram até os dias atuais, porém, com movimentos altamente organizados que possuem representatividade diante do poder público, no entanto a questão da Reforma Agrária está distante de uma resolução como percebemos nos constantes conflitos que marcam o atual cenário agrário nacional. As principais organizações  e movimentos rurais em nosso país são:
           


Contag


A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura é uma entidade sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais, que foi fundada em 22 de dezembro de 1963, no Rio de Janeiro.


MST


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra surgiu em 1984, como uma tentativa de discutir e mobilizar a população em torno da concretização da Reforma Agrária que desde então se confunde com a história do movimento no Brasil. O movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é um movimento social de luta pela terra desde a década de 1980, e vem se tornando um fenômeno mundialmente conhecido. Dentro do Brasil, o movimento ficou conhecido por suas estratégias empregadas para possibilitar o acesso à terra de seus integrantes que geralmente se se organizam em acampamentos nas margens de rodovias, fazem manifestações em praças públicas, passeatas em grandes cidades, longas caminhadas do interior do país até a capital federal, ocupações de prédios públicos, bancos, e ainda a ocupação de áreas rurais públicas ou privadas.


CPT


A Comissão Pastoral da Terra surgiu em junho de 1975, durante o Encontro de Pastoral da Amazônia, convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e realizado em Goiânia (GO). Inicialmente a CPT desenvolveu junto aos trabalhadores e trabalhadoras da terra um serviço pastoral.


MLST

O Movimento de Libertação dos Sem Terra foi criado em 1997, ficando nacionalmente conhecido por pelo menos dois episódios: as invasões do Ministério da Fazenda, em abril de 2005, por cerca de 1.200 integrantes, que ocuparam por cerca de seis horas o edifício na capital federal e uma nova invasão ao Congresso Nacional em junho de 2006.


UDR


A União Democrática Ruralista é uma entidade de classe que se destina a reunir ruralistas e tem como princípio fundamental a preservação do direito de propriedade e a manutenção da ordem e respeito às leis do País. A UDR representa os interesses dos proprietários de terras rurais em nosso país tendo inúmeros representantes no Congresso, que fazem parte da chamada “Bancada ruralista”





Prof. Kléber



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