domingo, 18 de dezembro de 2011

OS PERIGOS DAS CORRENTEZAS NAS PRAIAS



Pesquisas feitas em diferentes pontos do litoral brasileiro apontam que a correnteza é a principal causa de afogamentos na praia. Em mais de 80% dos casos, a corrente que provoca esses acidentes é a que puxa para fora da praia, perpendicular à orla, chamada pelos especialistas de "corrente de retorno".
Esse fluxo é formado pela água das ondas, depois que elas arrebentam. A água que se acumula na beira da praia volta para o mar e, com isso, cria uma corrente nessa direção.
Os fatores que determinam essas correntes são muito localizados, por isso é impossível dizer que uma região do Brasil tenha tendência maior ou menor a apresentá-las. Elas dependem do volume das ondas, dos ventos e da topografia.
Sob as ondas que se quebram, é possível ver que o mar fica mais raso. São os bancos de areia na praia do Futuro, em Fortaleza (Foto: Miguel da Guia Albuquerque/Cortesia)Sob as ondas que se quebram, é possível ver que o mar fica mais raso. São os bancos de areia na praia do Futuro, em Fortaleza (Foto: Miguel da Guia Albuquerque/Cortesia)
O perfil mais comum de quem precisa ser salvado das correntes de retorno: são homens, jovens e não têm o hábito de frequentar a praia em que se acidentaram.
"Geralmente, o homem tende a ser mais imprudente no banho de mar. A mulher costuma ser mais cautelosa, é como no trânsito", acredita Albuquerque, do IFRS. Ele diz ainda que quem conhece bem o mar tende a ser mais cauteloso, mas que isso "não dá para afirmar 100%".
Essa corrente pode chegar a até 7 km/h e, nesses casos, não adianta tentar nadar contra, pois é muito difícil atingir essa velocidade na água. César Cielo, no recorde mundial dos 50 metros livre, prova mais rápida da natação olímpica, alcança uma velocidade média de aproximadamente 8,5 km/h.
Se o banhista fica preso em uma corrente, o mais importante é que ele mantenha a calma. Se ele souber nadar ou boiar, a corrente não vai fazer com que ele afunde. O ideal, segundo os especialistas, é nadar paralelamente à praia até encontrar algum banco de areia, onde ele consiga apoiar os pés no chão. A partir daí, é possível esperar as ondas maiores e nadar junto delas até a beira da praia.
A melhor maneira de saber se a corrente de retorno é forte em determinada praia é observar a areia. Se ela for muito grossa ou muito fina, a tendência é de que a corrente não seja tão perigosa. Quando a areia é fina, ela é levemente levada pela água, e o mar tende a ser raso. Onde ela é grossa, a praia tende a ser íngreme, então a água bate e volta. Por isso, a areia média é a mais perigosa e serve como indicador.
“A corrente de retorno é mais propícia de ser formada em praias de areia média”, afirma Miguel da Guia Albuquerque, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), no Campus Rio Grande.
Isso acontece porque a areia média faz com que se formem bancos de areia no mar. Os bancos de areia são pequenos montes que se formam debaixo d’água, deixando o mar um pouco mais raso em alguns trechos. Assim, a água que retorna se concentra numa região, e essa energia concentrada faz com que a corrente fique mais forte.
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“Onde o banho parece mais tranquilo, que a onda não rebenta, a corrente muitas vezes é mais forte, porque há bancos na praia”, alerta Lauro Calliari, professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), no Rio Grande do Sul.

Esses bancos não são permanentes e variam de acordo com as condições do mar.

ATENÇÃO:
As pessoas se afogam quando se agitam na água ou gastam toda a energia nadando. Para sobreviver a uma correnteza, ou a qualquer problema na água, é preciso manter a calma e conservar a energia. Se você achar que não vai conseguir nadar de volta para a praia, passe da correnteza e mantenha a cabeça fora da água. Peça ajuda, faça sinal para as pessoas na praia, e se nada funcionar, espere até as ondas te levarem de volta.
Se você estiver na praia e vir uma pessoa presa em uma correnteza, peça ajuda para um salva-vidas ou para a polícia. Não entre na água e saia nadando até a pessoa. É muito arriscado nadar no mar aberto sozinho, a menos que você tenha um bote, uma prancha de bodyboarding ou um equipamento salva-vidas.
A maneira mais eficiente de combater correntezas é seguir algumas regras de segurança básicas para a natação: nunca entre sozinho no mar, e se não for um nadador forte, fique em águas rasas (apesar de que até mesmo as águas rasas podem ser perigosas). O ideal é que você nade somente nas áreas onde há um salva-vidas ou nadador experiente na praia que possa tomar conta de você.

Se você for pego por uma correnteza, é fundamental não entrar em desespero. O primeiro instinto pode ser nadar contra a corrente, de volta à água rasa. Na maioria dos casos, mesmo que seja um exímio nadador, só vai ficar exausto. A corrente é muito forte para bater de frente.
Ao invés disso, nade de lado, paralelo à praia (veja a ilustração abaixo). Assim você vai conseguir sair da corrente estreita, e voltar nadando para a praia com a ajuda das ondas. Se for muito difícil nadar de lado enquanto você estiver sendo puxado pela água, não faça nada e espere que a corrente o carregue para fora do banco de areia. A água será bem mais calma fora do banco de areia, e você conseguirá se livrar da correnteza antes de voltar para dentro dele.

Se planeja ir para a praia, é uma boa idéia aprender tudo o que puder sobre correntezas. Afinal, elas são a causa número um das mortes nas praias.

Caso você queira saber um pouco mais sobre esse tema, veja a interessante reportagem postada no  site :

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